A falta de médicos de família no concelho de Santa Comba Dão e a carência na falta de resposta aos utentes são duas consequências, segundo o PCP, do encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do centro de saúde local que aconteceu no primeiro dia de Fevereiro deste ano. “A situação que hoje se vive no Centro de Saúde é de todo insustentável”, alertam os comunistas, que falam em mais de 1.500 pessoas que estão privadas de médico de família. Afirmam ainda que “o problema atinge de forma mais gravosa” as populações rurais de Nagosela e Treixedo, onde o Posto de Atendimento já encerrou há dois anos. Mas este cenário de carência e falta de resposta aos utentes de Saúde de Santa Comba pode aproximar-se do “caos”, com a saída por aposentação até ao fim do ano, de mais quatro médios dos quadros do Centro de Saúde.
Perante este cenário, a Comissão Inter-Concelhia de Santa Comba Dão/Mortágua do PCP lançou um abaixo-assinado, exigindo do ACES Dão Lafões III e da Administração Regional de Saúde do Centro a colocação imediata dos médicos em falta e a contratação de outros que venham substituir os quatro que se vão reformar.
“Se estas entidades não assumirem as suas responsabilidades respondendo positivamente a esta elementar exigência, o partido disponibiliza já o seu apoio a todas as acções de protesto que as populações considerem legítimas para verem satisfeitas as suas justas reclamações”, declaram os comunistas em comunicado.
“Se dá prejuízo, fecha-se. Se faltam médicos do Serviço Nacional de Saúde, dá-se lucro a empresas privadas, contratando-lhe médicos aposentados. É mais fácil encerrar do que dotar estes estabelecimentos de saúde dos médicos e das valências necessários”, afirma a estrutura partidária, criticando as decisões do director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde Dão Lafões III.
Director admite carências
O director executivo do ACES Dão Lafões III admitiu “dificuldades e carências de pessoal” em vários centros de saúde da sua responsabilidade, contando que no concelho de Santa Comba Dão há três mil utentes sem médico de família.
“Pretendemos até ao final do mês ter a situação resolvida, através da reorganização, uma vez que saíram alguns médicos. Estamos a trabalhar nisso”, assegurou.
Segundo José Craveiro, o Centro de Saúde de Santa Comba Dão tem actualmente sete médicos e cerca de 10.850 utentes na sede.
“A nossa intenção é que todos os utentes da sede fiquem com médico de família”, explicou, acrescentando que neste grupo ficarão incluídos os de Nagosela e Treixedo.
No que respeita aos cerca de dois mil utentes inscritos na extensão de S. João de Areias (a única do concelho, após a desactivação em Fevereiro das extensões de Pinheiro de Ázere, Óvoa e São Joaninho), o responsável disse que a solução poderá passar “pela contratação de médicos à hora para assegurarem as consultas”.
José Craveiro garantiu que o ACES está a tentar resolver os vários casos de falta de médicos de família, exemplificando com o concelho de Nelas, que era o mais complexo e que “se arrastava há três ou quatro anos”.
“No caso de Nelas a solução foi uma Unidade de Saúde Familiar, que terá seis médicos”, explicou.












