O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Dão Lafões III debate-se com a falta de médicos, sendo a situação mais complexa em Nelas, distrito de Viseu, onde há seis mil utentes sem médico de família.
O director executivo do ACES Dão Lafões III, José Craveiro, admitiu à agência Lusa que “a falta de médicos no agrupamento é notória” e que “em quase todos os centros de saúde há utentes sem médicos de família”.
“Houve médicos que pediram a aposentação, uns já saíram, outros vão sair nos próximos meses”, contou.
Actualmente o agrupamento, que integra os centros de saúde de Tondela, Santa Comba Dão, Carregal do Sal, Nelas, Mangualde e Penalva do Castelo, tem a decorrer um concurso para quatro médicos.
“Mas isso não nos dá a garantia de que as vagas sejam preenchidas”, frisou.
No entanto, José Craveiro considera que “há outras coisas que podem ser feitas, como a reestruturação dos centros de saúde em unidades funcionais e o depurar dos ficheiros médicos, que têm mais pessoas do que aquelas que os censos dizem que existem”.
Deu o exemplo da reestruturação feita no centro de saúde de Santa Comba Dão, onde a desde anteontem a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados passou a funcionar nos dias úteis, aos fins-de-semana e feriados das 08h00 às 24h00.
Dessa reestruturação faz ainda parte o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) e a desactivação das extensões de Pinheiro de Ázere, Óvoa e São Joaninho, todas com menos de 1.500 utentes e que significavam “um grande desperdício de recursos”.
O ACES Dão Lafões III tem actualmente 62 médicos de clínica geral, considerando o responsável ser difícil enumerar ao certo quantos mais seriam precisos “sem que seja feita uma redistribuição”.
No entanto, referiu que, por exemplo, faltam três médicos em Nelas, um em Mangualde e outro em Carregal, enquanto em Penalva são necessárias mais algumas horas de serviços médicos. Para que “as pessoas não fiquem desprotegidas”, o ACES contrata serviços médicos de empresas, nomeadamente em Nelas, Carregal do Sal, Santa Comba Dão e Tondela.
“Pagamos à hora. É uma solução, ainda que não a ideal. A ideal seria todas as pessoas terem médico de família”, frisou.
Na passada sexta feira, os deputados do PSD eleitos por Viseu questionaram a ministra da Saúde sobre o que está a ser feito para colmatar a falta de médicos no agrupamento e “se confirma a contratação de médicos reformados do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para prestarem serviço no mesmo organismo”.
Isto porque, justificam, tiveram a indicação de que há médicos que “estão a solicitar aposentação nos seus serviços para de seguida serem contratados pelo Ministério da Saúde através de contratos de três meses, renováveis”.
José Craveiro garantiu à Lusa que “não existem contratos com médicos, mas sim com empresas”, para as quais podem trabalhar os médicos aposentados.












